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ENTREVISTA: Adriano Dornelles fala sobre os desafios frente à Secretaria de Obras Urbanas

Dando sequência à série de reportagens especiais de entrevistas com personalidades em destaque na cidade, o secretário de Obras Urbanas do município, Adriano Dornelles, falou à reportagem da Gazeta de Rosário sobre os desafios enfrentados na pasta e a busca de soluções para problemas.

Além disso, o secretário Dornelles salientou a importância das parcerias desenvolvidas pelo Poder Público juntamente com o Sindicato Rural e Associações de Produtores para a qualidade das estradas no interior do município.

Gazeta de Rosário – A pasta de Obras pode ser considerada uma das mais desafiantes dentre as secretarias municipais? Por quê?

Adriano Dornelles – Eu acredito que a Secretaria de Obras seja um desafio por estar envolvido com a vida de todas as pessoas da cidade. Temos diversos departamentos e não há exatidão, dependendo dos intempéries, dependendo do que acontece com a parte orçamentária, com a arrecadação, para que a gente possa fazer algum investimento. E o principal, a gente está tratando paulatinamente os problemas de forma pontual. Então, pela sua abrangência, ela [a pasta] pode resolver muitos problemas e muitas vezes, pelas condições, tem a dificuldade de dar solução, mas a gente tem buscado ao menos dar os encaminhamentos necessários para as soluções.

GR – E em Rosário do Sul, quais são as principais dificuldades frente a essa pasta?

AD – Nós temos uma dificuldade básica que é a questão do pessoal, há muito tempo se tinha funcionários em desvio de função, deficiência de funcionários em diversas áreas. Como por exemplo, operadores de máquina, estávamos utilizando funcionários de outras funções como operadores. Hoje, a grande dificuldade, além desta questão, é a orçamentária, que é bastante limitada.

GR – O senhor já está em seu segundo ano à frente da Secretaria de Obras. O que mudou desde o início de sua atuação na pasta?

AD – Nós estabelecemos uma gestão dentro da Secretaria no sentido de efetivar as ações, além de trabalharmos com um corte na questão orçamentária, pois não adianta tu gastar o que não se tem para pagar. Então, trabalhamos efetivamente com o que tínhamos condições de cumprir, e não apenas usando o orçamento. A gente estabeleceu uma forma de trabalhar para organizar com que se terminem os serviços que começaram.

Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal

GR – Um dos problemas mais recorrentes e comentados são as estradas rurais e as dificuldades dos produtores de transitarem nessas vias. Em meio à colheita do arroz, como está a situação atual das estradas rurais de Rosário do Sul?

AD – Hoje temos uma administração compartilhada com a Secretaria de Estradas e Rodagem, comandada pelo secretário José Abrelino Antunes. Além disso, temos várias parcerias com associações de produtores, e estamos conseguindo fazer um trabalho em conjunto. Ou seja, a prefeitura não teria condições de abraçar esses 4.800km de estradas, então a gente formou as parcerias. Entramos com maquinário, óleo, e o produtor entra com alguma outra ajuda.

GR – Como é realizado o trabalho da secretaria de Obras junto à secretaria de Estradas e Rodagens? Qual é o papel da pasta na manutenção das estradas rurais?

AD – Hoje, como já disse, temos pouco maquinário. Se formos dividir eles, não iremos conseguir atender a cidade e nem o interior. Então, por isso compartilhamos as duas Secretarias. A gente faz uma ação forte no interior, depois, uma ação forte na cidade. A gente vai estabelecendo as prioridades, sempre atendendo problemas pontuais. Se dividir o pessoal, não teremos estrutura para realizar todas as obras necessárias, por isso concentramos os funcionários. Concentramos ações efetivando os serviços.

GR – A região passa por um período de seca, o que apesar dos malefícios para a natureza, reduz a chance de veículos atolados e estradas alagadas. Existe um planejamento para uma possível época de chuvas e para que o escoamento das safras não seja prejudicado?

AD – Justamente essa parceria com os produtores. Por exemplo, a estrada do Campo Seco, nós temos uma parceria com um grupo de produtores, onde colocamos pedras durante o verão, e os produtores entraram com os caminhões. Nós fazemos as pedras em uma pedreira licenciada, e ajudamos também no transporte, além de patrolarmos as estradas. Evidentemente não tem como deixar a estrada 100%, mas hoje ela está em condições de receber o transporte de safra. Mas pelo excesso de peso dos caminhões, não temos como avaliar o que poderá acontecer se começar a chover durante o período de safra.

GR – Muito se fala em parcerias entre produtores rurais e administração municipal para resolver parte dos problemas das estradas rurais, que ano após ano se repetem. Isso acontece em Rosário? De que forma? Poderia ser intensificada?

AD – Já está intensificada. Praticamente uma parceria público-privada, entre o Sindicato Rural e o Poder público Municipal. Temos um convênio assinado onde as Associações dos Produtores, e produtores ligados ao Sindicato conseguem estabelecer a parceria por região. Juntos, aportam condições para que a gente tenha como resolver esses problemas das estradas. A gente vai viabilizando as ações, montando a parte estrutural, logística e funcional para as coisas acontecerem da melhor maneira.

GR – E quanto às vias da zona urbana? Também há reclamações constantes sobre ruas esburacadas e sem asfaltamento. O que pode ser feito de efetivo para mudar essa situação?

AD – Está sendo feito. Foi feito este ano, nós fresamos 61 quadras, cujos nomes estão disponíveis para quem quiser saber, só entre os meses de janeiro e fevereiro. Fora o que a gente tinha feito em 2017, que foram em torno de 30 quadras. Fizemos essa ação, mas como já disse o mesmo caminhão que leva pedra para o interior é o que usamos para colocar as pedras, trazer a fresa para a cidade, retirar a terra quando há rebaixamento de rua, é o mesmo que utilizamos para tirar o lixo, mesmo que não seja obrigação da secretaria, então temos dificuldade por isso. Hoje temos condições de fresar mais 20 ou 30 quadras com o material que está depositado aqui, mas estamos priorizando no momento as estradas. E pretendemos, se houver material, fresar todas as ruas de terra da cidade.

GR – A questão do lixo urbano também é muito debatida. Qual a responsabilidade da pasta frente a isso e o que poderia ser feito para que as ruas permaneçam limpas?

AD – O lixo doméstico é de responsabilidade do Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, então não é fiscalizado pelas Obras. Já a questão dos galhos e entulhos, é como já dissemos, várias ações foram feitas por vilas e bairros e infelizmente em pouco tempo as pessoas voltam a depositar em via os seus entulhos, seus sofás, suas televisões velhas e assim por diante. E a secretaria se vê em dificuldades porque há a necessidade da comunidade ter boa vontade para que a cidade se mantenha limpa. Da mesma forma que a limpeza pública, como corte de grama, a gente tem mantido através de uma empresa terceirizada. E pela falta de calçadas nas ruas do município, o trabalho desta equipe se torna mais demorado.

GR – Após atuar como vereador e agora como secretário municipal, como enxerga seu futuro na política? Pretende tentar outros cargos?

AD – Na realidade o nosso mandato não é nosso, é da comunidade, então essa é uma avaliação que quem tem que fazer é a própria comunidade. Eu tenho certeza que é um desafio. Já estou no meu quarto mandato como vereador, e agora vim como secretário por ter a certeza de que tudo que aprendi na vida pública, posso dar a minha parcela de contribuição para tentar fazer o melhor para a comunidade.

Perfil

Adriano Marques Dornelles nasceu e cresceu em São Borja, interior do Rio Grande do Sul. Tem 50 anos, filho de Rui Dornelles (in memoriam) e Alzira Luísa Marques Dornelles. É casado com Mariliane Krassmann Dornelles, com quem teve um filho, Adriano Marques Dornelles Filho. Após se formar em Medicina Veterinária, ingressou no Exército Brasileiro para desempenhar a função que o trouxe a Rosário do Sul.

Ao entrar na reserva, foi convidado por membros do PPB para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores do município. Na ocasião, Dornelles foi o terceiro mais votado, e a partir de então nunca mais saiu da vida política.

Já são quatro mandatos como vereador no Poder Legislativo rosariense, sendo presidente da Casa em 2013. Mas o atual secretário de Obras Urbanas já ocupou diversos cargos na política, entre eles foi presidente da União dos Legislativos da Fronteira Oeste por dois mandatos e presidente da Comissão de Defesa do Cidadão Saúde e Meio Ambiente, entre outros. Atualmente, Dornelles é vice-presidente do Democratas em Rosário do Sul e presidente dos vereadores de seu partido no Estado.

Reportagem: Rhayza Moreira / Gazeta de Rosário
Fotos: Divulgação / Arquivo Pessoal

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