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DE DENTRO DO TATAME: Esporte como Ferramenta Social

Midiaticamente muito se fala no esporte de alto rendimento ou no esporte competitivo. Hoje, as transmissões, tanto em TV como em redes sociais, tem a garantia de sucesso quando se dispõe à transmitir competições onde atletas renomados estão incluídos. Mas no Brasil uma grande parte desses atletas renomados são oriundos dos chamados projetos sociais, que existem em grande parte das periferias das grandes cidades e, mesmo em pequenas localidades, são “berço” de onde surgem revelações de diversos esportes, e com a arte marcial não é muito diferente. Como muitos sabem, nós temos uma carência grande de espaços para a prática, não só de artes marciais, mas de diversos esportes, com exceção (e isso não é uma crítica, e sim uma constatação) do futebol, que em grande parte das vezes tem incentivo público, inclusive.

Revelações e afirmações

Quem acompanha a arte marcial, mais especificamente o judô olímpico (e mais especificamente o judô olímpico feminino) sabe que hoje detemos um título olímpico no esporte, que foi conquistado nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, pela atleta Rafaela Silva. E foi amplamente divulgado, na época, que a atleta era originária de um projeto social da Favela da Rocinha, comandado pelo ex-atleta (e não ex-judoca) Flávio Canto, o Instituto Reação. Isso foi uma conquista tanto para a atleta quanto para o Instituto Reação (e para os outros projetos sociais que começaram a ter uma visibilidade muito maior), que visa, como o próprio slogan deles diz, “formar cidadãos pelo esporte”. Há, ainda na Seleção Brasileira Feminina de Judô, outra atleta oriunda de projeto social, esta inclusive, gaúcha. Maria Portela, que é natural de Julio de Castilhos, foi atleta do Projeto Mãos Dadas, coordenado pela Sensei (Professora) Aglaia Pavani, e é, hoje, uma dos expoentes do judô brasileiro. Além dessas, que hoje são exemplo para as novas gerações, ainda há vários e várias, tanto nos esportes de luta como em tantos outros, que só precisaram de uma oportunidade para mostrar seu valor.

Gerações futuras

Além disso, aqui no nosso estado, temos inúmeros outros projetos sociais de diversos esportes que a cada dia revelam atletas apesar das grandes dificuldades que enfrentam. Projeto Gaditas (Jiu-Jitsu), o próprio Projeto Mãos Dadas (Judô), dentre tantos outros, que além da função social, acabam, mesmo que não tenham essa intenção, revelando inúmeros atletas que levam o nome do estado e do país mundo a fora. O Brasil tem hoje, inclusive no UFC (a maior organização de Mixed Martial Arts do mundo), atletas oriundos de projetos sociais de artes marciais “fazendo bonito” e mostrando que o que falta é oportunidade. Em vontade, ninguém supera os atletas de projeto social, tanto os de arte marcial, como os de qualquer outro esporte.

Pratas (e ouros) da casa

Em nossa cidade, bastante carente de incentivo para a prática de “esportes alternativos”, temos também atletas que superaram a barreira dessa carência e obtiveram algum sucesso, nas artes marciais. Temos hoje, campeões brasileiros de jiu-jitsu e judô (apesar de alguns ainda não terem esse conhecimento, mesmo com a massiva divulgação deste jornal) oriundos dos projetos sociais existentes no município.

E se, sem o devido incentivo, nossos atletas obtém esses resultados, levando o nome de Rosário do Sul, Brasil a fora, imaginem se os incentivos e os recursos fossem suficientes, o que nós obteríamos… De Dentro do Tatame. Um bom sábado a todos.

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