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Setembro Amarelo e a prevenção ao suicídio

Hoje, a Gazeta dá continuidade às reportagens especiais referentes às cores que setembro carrega, e às causas que elas representam. Nesta edição, o assunto é a prevenção ao suicídio. No último sábado (22) contamos a história da rosariense Vanessa Simas, que está na lista de espera para receber a doação de um pulmão. O setembro é verde, pelo incentivo à doação de órgãos, e também é amarelo, para alertar sobre o grave e delicado problema de pessoas que atentam contra a própria vida.

Segundo o Boletim Epidemiológico de 2017, lançado pelo Ministério da Saúde, estima-se que, anualmente, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio e que, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 atentam contra a própria vida. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2012, o suicídio se tornou 15ª maior causa de mortalidade na população geral. Os dados também apontam que entre jovens de 15 e 29 anos, esta é a segunda principal causa de morte. Ainda segundo o boletim, o Rio Grande do Sul foi o estado que apresentou maiores taxas de óbitos por suicídio: 10,3 mortes por 100 mil habitantes.

O Ministério da Saúde destaca que o suicídio pode ser prevenido, e que o primeiro passo para isso é saber identificar sinais de alerta em si mesmo e nas pessoas ao redor. Em entrevista à Gazeta, a psicóloga especialista em Saúde Mental, Nilve Junges, explica que o suicídio é um fenômeno multifatorial, ou seja, uma interação de fatores individuais, sociais e culturais que terão efeito na decisão da pessoa de tirar a própria vida.

Segundo ela, as razões que levam uma pessoa a tomar uma decisão dessas estão ligadas a um sofrimento psíquico, para o qual a pessoa busca um método de diminuir. Ela analisa que fatores externos e internos podem anteceder o ato. Estes últimos estão ligados à história de vida da pessoa, muitas delas com vivências sofridas ou possíveis transtornos mentais preexistentes. Além desses, há o fator do contexto sociocultural em que o ato acontece.

É preciso observar os sinais e não julgar

Ao contrário do que a maioria pode pensar, a pessoa com ideias suicidas dá sinais que precisa de auxílio. Declarações como “tenho vontade de sumir” ou “eu queria não ter nascido” são algumas das mais comuns, segundo explica Nilve.

Oscilação de humor, ausência ou abandono de planos futuros, desesperança, desinteresse por atividades que antes eram queridas, queda no rendimento cognitivo, prostração ou agitação excessiva também são sinais que precisam ser observados com cautela. Além disso, há mudanças de comportamento, como o aumento ou alteração do padrão de uso de álcool ou drogas, e mudanças importantes da rotina normal, incluindo hábitos alimentares ou de sono.

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Observando os sinais, é possível perceber a importância da família na prevenção. Não minimizar o ato e não o tratar com preconceitos é fundamental para ajudar a pessoa que está passando por essa situação. “O paciente com risco de suicídio está bastante frágil e passa por grande sofrimento emocional. Então não julgar é imprescindível, pois reações dessa via apenas podem fazer emergir um sentimento de culpa no paciente, agravando sua condição”, destaca Nilve.

Ao ajudar alguém com ideação suicida, é importante buscar o máximo de informações possíveis sobre o assunto, além de se colocar à disposição para conversar. Nilve alerta que durante as conversas deve-se ser compreensível, empático, ouvir mais do que falar e, principalmente, estimular a busca por auxílio profissional. Através de uma escuta atenta, interessada e sem julgamentos ou expectativas, o psicólogo acolhe a dor e a queixa do paciente.

“Nós não podemos nos entregar, porque tem muita vida pra gente viver”

Um apoio livre de julgamentos do psicólogo aliado à medicação indicada pelo psiquiatra foi fundamental para que uma rosariense, de 30 anos, superasse uma fase de depressão. Em entrevista à Gazeta, ela falou sobre esse momento difícil de forma anônima.

Aos 28 anos, a jovem precisava de um apoio profissional que entendesse suas angústias. Antes de procurar um psicólogo, conversou com o seu parceiro para explicar que a busca por um profissional nada tinha a ver com a infelicidade na relação, e sim com algo que acontecia no seu interior, que precisava ser mudado. Ela foi diagnosticada com ansiedade e depressão.

“Eu nunca planejei fazer isso [tirar a própria vida], mas pensava muito que poderia ser uma solução, uma forma rápida de acabar com a dor que eu sentia constantemente. Porque essa tristeza que toma conta não tem explicação, parece que nada é capaz de resolver”, relata. Ela tomou medicamentos por um período e hoje o faz apenas para controlar a ansiedade, além de manter o acompanhamento com psicólogo.

Para as pessoas que estão passando por um momento difícil como esse, a rosariense frisa a importância em não ter medo de conversar e procurar ajudar de um profissional. “Eu sei que é muito difícil assumir que pensamos em fazer essas coisas. Eu mesma ainda tenho vergonha de contar. Mas sem ajuda profissional nós não conseguimos. Essas doenças são muito sérias e não é possível que ainda sejam vistas como bobagens(…). Nós não podemos nos entregar, porque tem muita vida pra gente viver”, finaliza.

Além da ajuda de familiares e de profissionais, pessoas que sofrem de depressão podem buscar o apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188. A ligação não tem custo e o paciente é acolhido por voluntários preparados para oferecer uma escuta cuidadosa e apta para dar as primeiras orientações. Em Rosário do Sul, a rede pública de saúde também oferece apoio psicológico através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Para aqueles que enfrentam esse problema, fica o recado: não se isole, procure auxílio, você não está sozinho, é possível melhorar.

Reportagem: Larissa Hummel / Gazeta de Rosário
Foto: Imagem 
Ilustrativa

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