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Sem condições de tráfego nas estradas, Rosário decretará situação de emergência

O município de Rosário do Sul deve decretar situação de emergência nesta quinta-feira (1º). O motivo são as condições das estradas do interior que, após os volumes das últimas chuvas, impedem o tráfego dos moradores das localidades, o transporte de cargas dos produtores rurais e o acesso de alunos da zona rural em alguns polos educacionais. Representantes de secretarias e entidades trabalham na elaboração de relatórios que especifiquem os prejuízos.

Os dados serão encaminhados ao Governo do Estado. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), desde janeiro os índices de chuva já ultrapassaram 1000 milímetros na cidade. Somente na última semana, o Cemaden registrou foram 88 milímetros de chuva em Rosário.

Na segunda-feira (29), a prefeita Zilase Rossignollo e o vice Rafael Pinto estiveram reunidos com os secretários de Obras, Agricultura, Educação, Assistência Social e representantes da Defesa Civil, Sindicato Rural e Emater para avaliar a possibilidade da decisão.

Rosário do Sul possui 4.800 quilômetros de extensão em estradas interioranas. Na maioria das vias, a situação é de difícil acesso, pontos críticos ou com pontes danificadas ou destruídas. Para o secretário de Obras, Adriano Dornelles, o trabalho realizado durante os cinco meses de gestão foi perdido em algumas regiões. “Já tínhamos patrolado 60% das estradas, mas é muita chuva que coloca parte do trabalho a perder”, lamenta.

Foto: Divulgação / Prefeitura

Secretário de Obras pede sensibilidade aos produtores que trafegam nas estradas em dias de chuva

O secretário de Obras Adriano Dornelles diz que mesmo com as fortes chuvas os caminhões de carga não deixam de trafegar, fator que piora a situação das estradas. Ele afirma que falta sensibilidade por parte de alguns produtores. “É um aspecto cultural na cidade, mas alguns produtores precisam ter sensibilidade. As estradas já estão ruins e eles não deixam de passar com cargas de gado, por exemplo”, conta. Ele ainda diz que é preciso pensar no dano coletivo e não apenas no benefício próprio. “Hoje temos que pesar a trafegabilidade de todos”, afirma.

Com a redução das chuvas, na quarta-feira (31), o maquinário da prefeitura estava em funcionamento na cidade e no interior. Conforme a pasta responsável, duas patrolas e uma retroescavadeira estavam na localidade São Leandro, uma patrola e uma retroescavadeira no Vacaquá, duas patrolas e uma retroescavadeira na zona urbana e uma retroescavadeira próxima ao polo educacional Aracy Vieira do Amaral.

Dornelles ainda avalia que para ajustar a situação das estradas seriam necessários mais de mil cargas de pedras, sem contabilizar os custos com horas-extras de funcionários e combustível. “Não temos estrutura para tudo isso, tem lugares que precisam de pedras, retirada de água, colocação de bueiros, pontilhões. Temos deficiência estrutural, logística e financeira”, ressalta.

Foto: Divulgação

TRANSPORTE ESCOLAR – O acesso a algumas escolas também está restrito. Nos últimos dias, alunos da rede municipal não conseguem se deslocar de suas casas, uma vez que os transportes escolares não passam pelas estradas. As escolas que registraram a situação são: Dom Pedro 2º e Firmeza, localizadas no 5º Distrito, Alice Pando, que fica no 3º Distrito e Aracy Vieira do Amaral, no 6º Distrito.

Agropecuária sofre com prejuízos

O presidente do Sindicato Rural, Ayrton Marçal, atenta para a paralização da produtividade rural. “Nosso principal prejuízo é no transporte de gado que vai para o frigorífico e a comercialização de insumos”, conta. Ele explica que como o gado gordo não é deslocado das propriedades, os produtores não conseguem levar insumos para as lavouras. “As atividades estão praticamente paralisadas, gerando um grande prejuízo para os produtores e para o município”, ressalta.

Já o secretário de Agricultura, Luzardo Foletto, diz que o escoamento de safra foi realizado. Ainda assim, ele destaca que aqueles produtores que possuem produto armazenado na propriedade – nos silos, por exemplo, enfrentam, ou enfrentarão, dificuldade para transportar. “A situação de emergência se justifica pelo grande estrago já causado para o município e para as pessoas que dependem dessas vias”, analisa.

A prefeita avalia a gravidade da situação e diz que com o volume de chuvas o município não tem condições de manter os reparos apenas com recursos próprios. “Por isso nos reunimos, no sentido de viabilizar a decretação de emergência e podermos buscar recursos nas esferas estadual e federal, o que só é possível a partir do decreto”, destacou.

Ao final do encontro, todos os envolvidos ficaram imbuídos de elaborar um relatório, de acordo com os respectivos segmentos, que elenque todos os prejuízos sofridos. O compilado servirá como base para a elaboração de um decreto que será encaminhado ao Governo do Estado. Com base nesses dados, e se o decreto for reconhecido, o município solicitará apoio financeiro e de maquinário para manutenção das estradas.

Foto: Divulgação

Situação das estradas

  • Interrompidas – Vacaqua e Picada do Inhame
  • Difícil acesso – Picada do Capim, Três Cerros, Buracal, Lagoa Branca, Vista Alegre, Bom Retiro, Campo Seco (pela estrada do Ibicuí), Farrapos (com danificação na cabeceira da ponte)
  • Vários danos – Estrada do Meio, Rincão dos Fontouras, São Leandro, Mato Seco
  • Pontos críticos – Touro Passo, Campo Seco, Corte, Rincão Menezes de Machado, Areial, Santa Rita e Farrapos
  • Pontes danificadas – Vista Alegra, Santo Agostinho, Batista (Ponte do Cota), Restinga, Rincão dos Fontouras (depois da Soteia)
  • Bueiro danificado – Passo do Mineiro
Foto: Natalia Apoitia / Gazeta de Rosário
Fotos: Divulgação

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